terça-feira, 15 de março de 2011

ONTEM E HOJE


Roberto Carlos

Wanderléa


Erasmo Carlos


Jerry Adriani


Carlos Gonzaga


Wanderley Cardoso


Tony Campello

Paul McCartney

Paul Anka

Valdirene


Martinha

Eduardo Araújo


Katia Cilene

Trini Lopez

Mike Jagger (Rolling tones)
Vanusa


Rita Pavone

Nenê (Os Incríveis)


Netinho (Os Incríveis)

Renato Barros (Renato e seus Blue Caps)


Os Caçulas


Moacyr Franco



sexta-feira, 11 de março de 2011

FILMES DE ELVIS

A mulher que eu amo (1957) / Prisioneiro do Rock (1957) / Balada Sangrenta (1958)

Estrela de fogo (1960) / Saudades de um pracinha (1960) / Feitiço Havaiano (1961)

Coração Rebelde (1961) / Viva Las Vegas (1964) / Carrossel de emoções (1964)

Minhas três noivas (1966) / Joe é muito vivo (1968) / O barco do amor (1967)

Charro (1969) / Ele e as 3 noivas (1970) / Viva um pouquinho (1970)

quarta-feira, 9 de março de 2011

MEXERICOS DA CANDINHA

“Olha o que a Candinha está falando aqui. Puxa! Mais como fala”. Já dizia um dos grandes sucessos de Roberto Carlos.
Até hoje não se sabe quem era o jornalista ou a jornalista, que escrevia essa coluna na Revista do Rádio, uma das mais especializadas nos anos 60. A verdade é que as fofocas rolavam soltas. E aqui lhes passo algumas delas.


Netinho deixa Rita Pavone na maior fossa:
A explicação para o rompimento de Netinho, integrante de Os Incríveis, e Rita Pavone surgiu esta semana em Roma. Foi o afastamento e a distancia que mataram o amor.O fim do namoro deixou a cantora italiana mergulhada em profunda triste, e perdeu aquela alegria exuberante de outros tempos.
Um passarinho me contou que, do lado de cá do Atlântico, Netinho não ficou tão triste assim com o rompimento.
(Dezembro de 1964)


Paul Anka desabafa: “Deixem os cabelos cumpridos para as mulheres”.
Atenção, meninos de meninas da Rua Augusta e playboys de Copacabana: podem visitar o barbeiro que há tanto tempo vocês não visitavam! Depois que Elvis Presley cortou suas lindas melenas e ornamentais costeletas, houve um corre-corre dos cantores Fabian, Franck Avalon e Paul Anka em direção ao barbeiro.
A moda agora é, portanto, cabelos cortados normalmente. Acabou-se o penteado anormal.
(Agosto de 1963)


Os Beatles estão já então entre nós!
Inicialmente, atentem para as cabeleiras dos rapazes. Eles são integrantes do conjunto The Beatles, que, após estrondoso sucesso na Inglaterra, foram aos Estados Unidos reafirma-lo.
Eles já estão no Brasil através de um compacto simples lançado pela Odeon, com as seguintes músicas: I want to hold your hand e She looves you. O preço : Cr$ 800,00.
Mulheres corram às lojas de disco, eles estão com a bomba...
(Maio de 1964)


Wanderléa desmaia nos bastidores:
Foi um deus-nos-acuda! Wanderléa pregou um susto geral em todos os que assistiam aos ensaios do Rio Jovem Guarda. Desmaiou no camarim e só se recuperou pouco antes de começar o programa.
Línguas ferinas divulgaram outras histórias pelos bastidores do programa. Será...?
(Maio de 1965)




Braziliam Bitles com medo do capitão.
Será culpa no cartório? Os rapazes que integram o Brazilian Bitles passaram uma semana apavorados quando souberam que estavam sendo procurados por um capitão do exército. O medo passou quando descobriram que não estavam sendo procurados por causa de nenhum inquérito: queriam apenas contrata-los para um show na Academia Militar.
(Maio de 1965)



O casamento secreto de Johnny Halliday
Uma notícia que certamente vai entristecer as muitas fãs do cantor francês no Brasil: Johnny Halliday, o Elvis da França, casou-se com a cantora Sylvie Vartan.
Apesar do casamento se realizar em segredo, uma multidão de fãs apareceu no localc para tirar uma última casquinha no noivo. Que Horror!
(Maio de 1965)


Rosemary que pôr os cabelos no seguro.
A bonequinha loura está pensando em colocar seus cabelos no seguro. Tudo por causa de uma fã exaltada que, no Rio de Janeiro, ameaçou cortá-los. Ela diz que cuida deles com muito carinho e, por isso, valem uma fortuna.
Deixem os cabelos da Rosemary em paz, gente!
(Junho de 1965)


Erasmo ataca a Bossa Nova.
Erasmo Carlos, criador do sucesso Festa de Arromba, deixou cair e fez o maior discurso contra a bossa nova : “No Brasil de hoje, toda a atenção está voltada para a música e cantores da bossa nova. O gênero que canto não vem tendo, por parte da crítica, todo apoio que julgo merecer.Por isso, estou me preparando para temporadas no estrangeiro, onde espero conseguir maior popularidade e maiores salários...”
Por favor, não vá...!
(Outubro de 1965)


Roberto continua uma brasa!
Gente, as apresentações de Roberto Carlos pelo interior do país têm sido um verdadeiro deus-nos-acuda! Imaginem que em Apucarana, interior do Paraná, o cantor teve de ser levado ao lugar onde se realizaria o show num carro de presos da polícia! Em Campinas, interior de São Paulo, as fãs depenaram inteiramente o carro do artista, levando como lembrança até as calotas e os limpadores de pára-brisas.
Disse e repito: meninas controlem-se!
(Fevereiro de 1966)




Ronnie Von reage a gaiatice de fã.
Em Goiânia, um fã engraçadinho atreveu-se a passar a mão nos lindos cabelos de Ronnie Von, dizendo e fazendo gaiatices. Foi o bastante para o ídolo reagir: aplicou violentos golpes de karatê no engraçadinho, que fugiu envergonhado.
É isso aí, Ronnie!
(Julho de 1966)

Só existe um solteiro nos Golden Boys.
Atenção fãs dos Golden Boys!Não se assanhem com os garotos, pois são todos casados, com exceção de um: o Waldir Correia. Os outros estão muito bem-amados e não querem saber de namorar fã. Já o Waldir... Bem, pelo menos por enquanto, o rapaz anda dizendo que casamento não é papo pra ele! Será?
(Maio de 1966)

Nara Leão acha Jerry um pão!
Nara Leão jura que não namora Jerry Adriani, mas é verdade: o casal tem sido visto nos boliches do Rio e São Paulo. As más línguas também dizem: a musa da bossa nova anda saindo com muita freqüência – mas muito mesmo! – com Roberto Carlos.
Sapeca a mocinha, não?
(Novembro de 1966)

Wanderley confessa: “Meu único amor é minha mãezinha!“
O dono dos olhos mais bonitos da Jovem Guarda dá um ponto final nos boatos que davam como certo o seu casamento com a vedete Brigite Blair. Ele diz que está muito jovem, na flor dos seus 20 anos, para se casar.
Por enquanto a única mulher que ocupa seu coração é a mamãe Elvira Conti.
Já tem gente chamando o rapaz de Édipo Cardoso!
(Setembro de 1966)

Waldirene não quer casar com Erasmo.
Aos 19 anos, o broto Waldirene, jura que casamento não é papo pra ela.Pelo menos por enquanto! E diz com convicção, que não tem qualquer fundamento a notícia de que estaria se casando nos próximos meses com Erasmo Carlos.
Eu não sei de nada! A Candinha só conta o que ouve por aí.
(Março de 1968)

Festa de Arromba deixa todo mundo nu na piscina.
Essa história me foi contada por Wanderléa – e eu reconto com grande prazer para vocês.
Numa Festa de Arromba, ocorrida na casa do piloto de corridas Marivaldo, o embalo acabou num concorrido banho de piscina, com roupa e tudo.
E a ternurinha soltou o seu veneno: - Só se via peruca e cílio postiço boiando por toda a parte... Cruzes!
(Novembro de 1968)

AS GIRIAS (O que se falava)

ABAFAR:
Arrasar, chegar e fazer com que todos os olhares se voltassem na sua direção. Daí a expressão “crente que está abafando”.

ARQUIVADO:
Usava-se para designar alguém marcado, perseguido, impossibilitado de trabalhar. A palavra também era utilizada para se referir a um disco que não vendia.

BIRUTA :
Doido. Maluco. A palavra foi imortalizada em Eu não tenho namorado, cantada por Celly Campelo, em que, Tony Campello pergunta para a irmã: Você ficou biruta?

BROTO LEGAL:
Garoto ou garota interessante.

BARRA LIMPA:
A expressão significava que estava tudo em ordem, que não havia nada impedido a realização de um determinado programa.Dizia-se que a barra estava limpa quando se queria dizer que estava tudo muito bem, sem problemas. Um broto barra limpa era a mesma coisa que um broto legal.

BIDU:
Coisa ou pessoa genial, notável.

BICÃO:
Alguém que queria entrar num grupo social mais elevado e, para tanto, estava dispostos a tudo.

BECA:
Terno. A roupa masculina usada em festas, geralmente paletó e gravata.

BOCA DE SINO:
Um modismo que fez com as calças masculinas e femininas da época se al;argassem cada vez mais.

BATALHAR:
Tentar conquistar alguém.

BODE DE CANOA:
Pessoa receosa, desconfiada.


BENZEDOR DE ORQUESTSRA:
O maestro.

CHATÔ:
Casa ou apartamento.

CREU:
Soco, sopapo, paulada.

CASQUINHA:
Brincadeira pré-sexual superficial, sem desdobramentos de cama. Celly Campello cantava em Os dez mandamentos do broto: “Se o garoto é delicado / e mora no coração/no escuro sentado ao lado/durante toda a sessão/ tem direito a uma casquinha/ e um pouquinho de emoção/pra não perde a linha/pode só pegar na mão”.

CHÁ DE CADEIRA:
Passar o baile inteiro sem que alguém o/a tirasse para dançar. Mal que vitimava, naqueles tempos machistas, principalmente as mulheres mais tímidas e recatadas.

COCADA:
Acompanhante indesejável – quase sempre a prima ou a vizinha – que, geralmente a mando dos pais, vigiava os passos da filha que ia ao cinema ou baile com o namorado.

CURRA:
O mesmo que estupro.No fim dos anos 50, a palavra entrou para o imaginário brasileiro por causa de um dos mais famosos crimes da crônica policial do período: o assassinato de Ainda Cúri, uma jovem de 18 anos, currada e assassinada por três rapazes.

CACHORRÃO:
Pessoa amiga, boa praça, camarada.

DEIXAR FORA DO AR:
Encabular alguém, deixar alguém falando sozinho.

DAQUI, ó:
Sempre acompanhado de um gesto, que segurava com as pontas do dedo o lóbulo da orelha, significava algo muito bom, maravilhoso.

DAR BOLA:
Corresponder aos apelos amorosos ou sexuais de algué

ESTOURO:
Servia para qualificar tudo aquilo que era absolutamente excepcional e arrasador. Era o máximo uma garota ouvir ao passar na rua: -Broto, você está um estouro.

ESTAR POR FORA:
Ignorar, não saber o que estava acontecendo ao redor. Quando se dizia que alguém estava por fora, dizia-se que ele não sabia de nada.

FICAR PRA TITIA:
Não casar.

FOGUEIRA:
Negócio muito bom proposta irrecusável.

FIGURA:
Palavra usada para chamar alguém simpaticamente: ô figura, tudo bem?

FLERTAR:
O mesmo que namorar.

FARISEU:
Pessoa sem nenhuma importância.

FICAR A NENÉM:
Estar completamente duro, sem dinheiro.

GASTAR O LATIM:
Quando alguém se esforçava dando uma cantada no broto, usando todo o seu charme verbal, dizia-se que estava gastando todo o seu latim para conquistar a garota.

GATA/O:
Maneira carinhosa de chamar o broto. Aos poucos se transformou em adjetivo: ele/ela era um/a gato/gata.

GOIABÃO:
Otário, bobo.

GRAMPEAR:
Guardar na memória alguma coisa ou alguém.

LENHEIRO:
Pessoa que fazia sucesso, que estava por cima, cercada de fama, dinheiro e muito êxito

LEVAR MALA:
Ter seu pedido de dança recusado por uma dama.Nos bailinhos dos anos 60, levar mala era uma grande humilhação.

MANINHA:
Jeito gentil de chamar a amiga, sem a conotação sexual de gata.O seu uso denotava amizade, afeição, carinho.

MANJO:
Presente do indicativo do verbo manjar, que significava perceber, sacar, estar por dentro.Em Prima Dayse (gravado em 1961), Eduardo Araújo berrava a la Little Richard: “Minha prima Dayse/ manjo muito bem/ namora todo mundo/ mais não casa com ninguém”.

PAPO-FIRME:
Garota ou garoto bom/boa de prosa.Ou ainda, pessoas interessantes, desinibidas, seguras, cheias de suas próprias convicções.

PRA CHUCHU:
Significava que algo era ótimo, sensacional.Alegre pra chuchu: A pessoa estava super alegre.

PAPO FURADO:
Conversa sem pé nem cabeça, sem sentido, recheada de bobagens.

PRAFRENTEX:
Avançado, moderno, contemporâneo.Alguém dentro das novidades.

ONDA CARECA:
Proposta ruim. Tendência ou movimento ruim. Os fãs da Jovem Guarda diziam em relação
a música dos anos 50.

RISADA DE VENDER COMPACTO:
Dizia-se do cantor que ria para todo o mundo que o cumprimentava.

SACAR:
Entender, perceber.A palavra também era usada no sentido de criar.Exemplo: Fulano sacou uma frase espetacular.

SEM ESSA:
Pedir para alguém não fazer alguma coisa. Negação.

TROUXA:
Pessoa boba, otária, ingênua, desinformada.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A ERA JOVEM GUARDA


Na pacata cidade de Taubaté, interior de São Paulo,um garoto chamado Sérgio Benelli Campello - que já gostava de ser chamado de Tony Campello - era posto freguentemente pra fora das salas de aula por professores irados. Motivo: não se conformavam com o fato de ele, ao invés de decorar as formulas e equações, ficava copiando letras de musicas.


O rock invadia o país e fazia as primeiras vitimas. O pequeno Sérgio era uma delas: não conseguia pensar em outra coisa. Aos 22 anos, no final de fevereiro de 1958 o acordeonista e compositor Mário Gennari, com quem Tony se apresentava em bailes por Taubaté e região, conseguio um teste na gravadora Odeon. Ele de imediato aceitou mais com a condição de levar junto a irmã Celly, que se tornaria em pouco tempo a primeira rainha do rock brasileiro.
Entre os dias 28 e 31 de março de 1958 (ele aos 22 anos e a irmã com 15 anos) gravaram seus dois primeiros sucessos. Foi um compacto simples. De um lado Tony cantava "Forgive" e do outro Celly com "Handsome boy". Ele cantando uma balada romântica em que pede perdão ao broto e ela exaltando a simpatia eo charme do rapaz amado.


Pouca gente percebeu que ali estava começando a carreira de uma das mais brilhantes duplas de cantores da historia do rock no Brasil.
Na cauda do cometa de Tony e Celly, um exercito de artistas começaram a surgir: Sérgio Murilo, Carlos Gonzaga, Demetrius, Wanderléa, Cleide Alves, Golden Boys, Trio Esperança, Erasmo Carlos, Ronnie Cord e Roberto Carlos. Esse que depois se tornaria o "Rei da Juventude Brasileira".
Erasmo Carlos começou juntamente com Roberto no conjunto The Snakes, depois passou para o Renato e seus Blue Caps, onde ate chegou a gravar um disco "Limbo rock".
Mais o sucesso começou a despontar depois do primeiro sucesso da dupla Roberto e Erasmo "Parei na contra-mão".
Dai a festa arrombou de vez apartir do dia 22 de agosto de 1964, o dia da estréia do programa JOVEM GUARDA na TV record de São Paulo.

ANOS ELETRICOS


Nos anos 50, diabólicos seres desembarcaram no Brasil.Chegaram do Norte do planeta, foram atacadas pela crítica como “imperialistas”, mas foi impossível resistir-lhes o embalo.E elas ficaram.


A guitarra, um produto praticamente “inventado” pelo rock, já não causa qualquer preocupação e pode se encontrada até mesmo nos discos da chamada música popular de frente.Há anos, no entanto, as coisas não eram exatamente assim: elas evocavam qualquer coisa de diabólico ou sobrenatural, com poderes místicos que obviamente nunca tiveram.
No final da década de 50 e início de 60, o termo guitarra não se bastava a si.Era mais nome de um objeto, um símbolo vivo da rebeldia jovem – tanto musical como existencial.
E, de mais a mais, no obscurantista cenário de certos setores da MPB de então, era o significado preferido a “imperialista” ou o que valha. Não foi à-toa que, quando o programa Jovem Guarda começou, organizou-se até mesmo uma passeata contra a guitarra elétrica. Ou seja, músicos de MPB não tocavam instrumento elétrico, tocava violão.
A entrada da eletricidade no meio da música – uma dessas coisas historicamente inevitáveis, como os automóveis ou as geladeiras – foi teimosamente evitada, o que só acabou definitivamente anos mais tarde, quando Caetano Veloso batia furiosamente os acordes iniciais de “Alegria Alegria”, prometendo, num show no TUCA (em São Paulo), fazer música popular para pessoas de classes sócias de A a Z.
Em 1956, o filme Rock around the clock chegou ao Brasil, com Bill Halley e seus Cometas. Halley usava aquela chuca-chuca ridícula e gozadora no cabelo, deslizando pela testa.
O Cine Roxy, no Rio de Janeiro, e inúmeros outros espalhados por todo o pais, foram virtualmente virados de pernas pro ar.Logo depois apareceu Elvis Presley (em Love me tender, o filme) e Roberto Carlos assistiu um das apresentações.
- Eu sentia uma alegria, vontade de cantar e principalmente de dançar. As guitarras coloridas também me impressionaram muito.
As guitarras elétricas, a bem da verdade, ainda não haviam desembarcado no Brasil. Na época da turma da rua Matoso o jeito era balançar ao som de violões Roberto Carlos relembra que “no violão”, o pessoal tinha descoberto uma batida que dava um certo efeito, um som bem metálico, de guitarra mesmo.
Os violões disfarçados de guitarra, no entanto, logo seriam abandonados.Conjuntos paulistas com The Clevers e The Jet Black já estavam importando aparelhagem – amplificadores, guitarra e contrabaixos elétricos – dos Estados Unidos. E, pouco antes
da Jovem Guarda, Roberto Carlos já tinha a sua primeira guitarra, foi uma Giannini, que logo seria trocada por instrumentos mais sofisticados.
Na Jovem Guarda teve uma Fender, que foi de Johnny Holliday, uma Rickembaker e ainda uma Gibson. Gostava muito da Rickembacker, mas não era por causa do som.Era porque John Lennon tinha uma igual...


Com quantos paus se faz uma canoa? No caso do rock, o primeiro “professor” de Erasmo Carlos, Tim Maia, dizia que com apenas três: lá maior, ré menor e mi maior.Isso em outros tempos, claro, e basta um rápido olhar sobre a produção musical de Roberto e Erasmo Carlos para perceber a clara evolução da técnica e harmonia. O papel maior, no entanto, segundo Erasmo, fica para as letras.
Erasmo usa, para compor sozinho ou com Roberto, um violão Di Giorgio. Tem também um Guild elétrico, presente de Roberto.Além desses, a guitarra Gretsch, modelo Viscount, comprada em 1966, um piano Niendorf (ganhou de Narinha) e, finalmente, um órgão Farfisa de 66 e uma bateria elétrica Yamaha.E pra completar o mais recente, um violão Ovation.
Três acordes ou três mil acordes, não importa.Quantos sons, quantas diferentes tonalidades cabem em três simples acordes?

PRÉ-HISTORIA DO ROCK NO BRASIL


Quando Nora Ney gravou “Rock around the clock” em 24 de outubro de 1955, o Brasil entrou de vez na trilha do rock ‘n’ roll. Era o primeiro – e fundamental – passo rumo à modernização da música popular brasileira que, nos anos 60, explodiria nos acordes dissonantes das guitarras da Jovem Guarda.


A hiper-romântica Nora Ney abandonou as boates onde sussurrava lacrimejantes sambas-canções, e botou pra quebrar. Entrou num estúdio carioca, mudou a freqüência das cordas vocais , mandou a rainha da fossa para aquele lugar, respirou fundo, e, One, two, three, four ... disparou: “Rock around the clock... Tonight.”
Era a senha para, enfim, brasileiros em geral mexer as anquinhas ao som do ritmo detonado por Bill Halley e Seus Cometas.

Na abertura do musical Blackboard jungle (No Brasil, Sementes da violência, 1955), o grupo americano havia decretado que as pedras (e os quadris) rolassem.
Conseqüência: um deus-nos-acuda. De New York ao Chuí, os terráqueos nunca se mexeram tanto e em tão pouco tempo. Sambistas e carnavalescos como nós, brasileiros, éramos – e somos -, não tivemos dificuldade em deixar fluir o Elvis que havia dentro de cada um.
E o rock frutificou virou até chanchada – comédias brasileiras que lotavam as matinês de domingo em todo o Brasil.
De vento em popa (1957), com Oscarito travestido de Elvis Presley, incorporando um carioquissimo Melvis Preste, fazendo uma divertida paródia do rei do rock.

Nessa mesma época, o então romântico Cauby Peixoto cismou em trocar de repertório. Se Nora Ney, a rainha da fossa, entrou para a história como a introdutora do rock no país, por que ele, mais jovem e alegre, não poderia virar o rei do rock? Foi o que fez. Mudou o nome para Ron Coby e mandou ver.
Deu em nada: um fracasso. Poucas garotas atreveram-se a comprar o disco em que cantava
Rock and roll em Copacabana (de Miguel Gustavo).
Nem um pouquinho bobo, o artista recuou. Aposentou o lado roqueiro e voltou a cantar clássicos como Conceição.
Cauby Peixoto não foi o único a pegar carona no rock nacional. O afinado Agostinho dos Santos também tentou mudar de rota e foi um pouquinho mais bem-sucedido. Em Janeiro de l957, gravou Até logo jacaré (versão para o hit, “See you later alligator”, de Bill Halley).
E, graças a uma letra ingênua e um jeito bossa nova de cantar entrou para a história como cantor de uma das gemas mais preciosas da pré-história do rock no Brasil.
Nem só de oportunismos ingênuos viveu a pré-história do rock nacional. Houve quem achasse que o ritmo era a saída, ou melhor, a entrada para conquistar um lugar ao sol.
Betinho e seu conjunto – o primeiro conjunto do gênero – foram um desses casos. A bordo de um acordeom, que aparentemente não rimava com rock, o grupo gravou, também em 1957, um compacto. De um lado do disco, ouvia-se Neurastênico.